A SABEDORIA FEMININA




   É bem sabido que da Índia saíram brilhantes sábios, como por exemplo; Sidarta Gautama (Buddha), o herói nacional Ramakrishna, o introdutor do yoga no ocidente Swami Vivekananda, sem falar do grande símbolo da paz, Mahatma Gandhi.. Atualmente, um dos santos mais reverenciados é Sri Sathya Sai Baba, que tem construído muitas escolas e hospitais com as doações que recebe de seus devotos.
   Os mais aficcionados pela cultura indiana, também sabem que existem por lá muitos mestres que optam pelo anonimato, alguns completamente isolados do mundo, vivendo em cavernas ou nas florestas, dedicando-se exclusivamente à prática espiritual. Podemos até brincar, dizendo que na Índia há um Guru em cada esquina, apesar de reconhecermos que nem todos merecem ser chamados assim.
   Se pararmos pra prestarmos atenção, só se falam sobre os homens. Alguns afirmam que é porque as mulheres são tão discriminadas na Índia, que não têm acesso aos ensinamentos espirituais, certo ? ERRADO!
   A quantidade de mulheres santas na Índia é incalculável, e a história delas é no mínimo surpreendente! Algumas são Bhairavis, mas a maioria opta por levar uma vida comum, buscando a elevação espiritual através do Karma Yoga, cuidando de sua família, não só nas questões do dia a dia, mas principalmente através de suas valiosíssimas orientações a nível espiritual. Elas só consideram sua missão cumprida quando seus familiares e discípulos (que são tratados e amados como seus filhos) alcançam a auto realização.
   É possível ver estas mulheres circulando pelas ruas como simples donas de casa, pelo fato de não desejarem aparentar mais do que isto. A discrição destas mulheres é tanta, que muitas vezes os maridos não sabem da grandeza de suas esposas, nem tampouco da quantidade de discípulos que possuem, ou dos feitos que já realizaram e realizam.
   Há um caso verídico contado na literatura védica, que ilustra muito bem esta questão: é a história do grande Brahmarishi Agastya.
   Agastya, é considerado um dos maiores sábios que a Índia já produziu. Só que numa certa etapa da sua vida, ele concluiu que precisava ser iniciado em Sri Vidya, e então, partiu em busca de um Mestre desta linhagem que residia em uma cidade muito distante da sua, fazendo com que Agastya levasse meses para chegar até ele. Diante do famoso Mestre, travou com ele o seguinte diálogo:
- Mestre, gostaria de ser iniciado em Sri Vidya.
- Sinto muito, mas não posso fazê-lo no seu caso. Só o meu próprio Guru, fundador desta linhagem é que pode.
- E onde posso encontra-lo ?
Então, o Mestre disse o nome da província onde orava o Guru, e Agastya respondeu:
- Mas..esta é a minha província...
E o Mestre informou-lhe então o nome da vila. Agastya começou a se assustar:
- Esta é a minha vila!
Pacientemente, o Mestre descreveu-lhe a residência do seu Guru. Agastya, muito chocado retrucou:
- Mestre! esta é a minha casa!
Por fim, o Mestre lhe revelou o nome do Guru: Lopamudra. Agastya gritou dizendo:
- Mas.. esta é a minha esposa!!
   A partir daí, Agastya deslanchou espiritualmente. Ele era adepto da ideia de que apenas a auto mortificação, o sacrifício, a dor e o sofrimento podiam proporcionar a iluminação espiritual, e graças a Lopamudra, ele aprendeu que não.
   A literatura védica conta que por causa dela, tornou-se um sábio ainda mais poderoso, pois uniu o caminho da renúncia ao da vida comum. Foi ela que o ensinou que não há nada de errado em levar uma vida normal, desde que seja guiada pela luz divina. Lopamudra foi responsável pela iniciação de Agastya, fato muito importante, pois os hindus declaram que uma iniciação feita por uma mulher é oito vezes mais poderosa do que uma iniciação feita por um homem.
   Como vimos, não é porque as mulheres verdadeiramente auto realizadas não se interessam em escrever livros ou participar de congressos que não sejam de fato iluminadas.
  O silêncio, a humildade, o amor, o serviço ao próximo e a maternidade são os mais difíceis desafios espirituais aos quais uma pessoa pode se propor. O que nunca pode ser visto como crescimento espiritual é a submissão. Mas podem ter certeza, grandes mulheres não aceitam este tipo de arbitrariedade. Só que isto já é outra história...

GLOSSÁRIO
Bhairavis - mulheres yogues que se isolam do mundo
Buddha - o mesmo que Buda. É chamado assim todo ser plenamente realizado.
Brahmarishi - È umt título honorífico, que significa literlamente  aquele que vê e compreende Deus
Guru - professor ou Mestre espiritual
Karma yooga - O yoga da ação desinteressada
Mahatma - a grande alma
Sri Vidya - é o supremo conhecimento secreto da deusa.Traduzido literlmente signifia "a ciência suprema"
Swami - Mestre

RACHEL MONTEIRO

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