O DIA QUE ENCONTREI DEUS
Era por volta de 15h30 da tarde. O interfone tocou. Meu coração disse: MEU FILHO!! Na portaria, coincidentemente (?) um amigo trazia a notícia. Meu filho, na véspera de seu aniversário tinha sido atropelado e estava estendido no asfalto. Os bombeiros haviam acabado de chegar. Minha vizinha correu atrás de mim, junto com minha filha mais velha. Meu amado filho estava consciente, e me pediu um beijo. Os bombeiros permitiram. Disse a ele que se acalmasse, respirasse, que aquela equipe estava ali para ajudar.
Minha vizinha disse: o que poso fazer por você ? Uma única resposta me surgiu: Reze pelo meu filho!!Por favor,reze!! Ela voltou ao condomínio, se reuniu com algumas pessoas e assim fizeram. Coincidentemente (?), um casal se aproximou enquanto os bombeiros o colocavam na ambulância, disseram que eram aevangélicos, estavam passando, viram o acidente. No momento do ocorrido, estavam ao telefone com sua pastora, e pediram a ela que orasse!!
Contatei minha família pelo celular deles. Entrei na ambulância, e seguimos. Tivemos que trocar de ambulância no meio do caminho, para outra com UTI, que contava com paramédico. O caso era grave.
Lembrei do Pai nosso, aprendido na minha infãncia com as freiras da escola. Controlei a respiração, graças ao yoga. Invoquei os seres de luz e Deus. Lembrei do Prof. Hermógenes, que em uma de suas palestras disse: "vou ensinar a vocês uma receita de bolo: entrego, confio, aceito e agradeço". assim o fiz.
Pouco importava o que iria acontecer, iria cuidar do meu filho. Chegando ao hospital, fui recebida coincidentemente (?) por uma aluna de yoga, médica muito boa, que salvou a vida dele. Se ela não tivesse entubado meu filho logo, ele iria falecer. A partir daí, todos, bombeiros, médicos e enfermeiros, se aproximavam de mim, para me falar de Deus, que eu tivesse fé.Isto, dentro de um hospital do SUS. Meu filho conta que ao acordar, se sentiu um robocop: estava entubado, com um dreno no pulmão,com uma sonda, com o soro, sem poder se mexer. Mas, ele lindamente, com gestos, dizia que estava bem, pediu para que nada fosse feito contra o causador do acidente, atitude que jamais teria, pois a vingança não salvaria meu filho.
Ao sair da UTI, foram mais 12 dias no hospital. tentei transferi-lo, mas um médico me alertou. " Ao sair daqui, você terá conforto, mas não terá esta equipe". Continuei no mesmo hospital, e passamos a enfermaria, onde já tinha mais 10 crianças com suas mães.
Durante este tempo de internamento, meu filho sentiu muitas dores (tinha um ferimento nas costas, onde posteriormente foi feito um enxerto, e o pulmão estava se recuperando), dormíamos mal, o ambiente era sujo, tinha até barata. Juntos, presenciamos a dor dos outros, vimos um bebê falecer. Presenciamos o sofrimento de crianças que passam meses no hospital, por doença ou acidentes. Descobri a compaixão em meu coração.Coincidentemente (?) mais uma aluna de yoga nos visitou, também me´dica, trabalhava no hospital, e contrabandeou guloseimas para nós, que saboreamos após o debridamento (é uma raspagem da pele), nas véspera da alta.
Eu, instrutora de yoga, professora de música, mestra em reiki...nada serviu. Só restou a fé e a oração. Èramos eu, minha família, uma equipe amorosa, e Deus.
Entendi que para se fazer ouvir por Deus, para entender o que Deus quer de nós, para ter forças para lutar, para se alegrar com as vitórias, e para suportar as derrotas, basta abrir o coração e falar com Deus. Do seu jeito, sem valorizar o ego, só você e ele, em qualquer lugar, a qualquer hora, de qualquer jeito.
Deus me inspirou para dar forças para meu filho. A cada anoitecer, dizia: "é menos um dia aqui". A cada amanhecer dizia: "quem sabe, não teremos alta hoje ?".
Mesmo sem dormir e comer direito, a oração me alimentou."nem só de pão vive o homem", já dizia o Mestre Jesus.Agradeço tudo. Meu filho sobreviveu, ileso. Está muito bem, sem nenhuma sequela. Ficou só a experiência. Estamos mais fortes, mais próximos de Deus, sou uma pessoa melhor, e uma professora melhor.Estamos firmes, no caminho do yoga. Agora mais do que nunca, com uma compreensão profunda e sentida do que isto quer dizer.Espero que este relato, possa servir para dar forças para alguém.
Obrigada por me deixarem compartilhar esta experiência com vocês.

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